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sábado, setembro 23, 2006

O Grilo despede-se... até ao próximo Verão!



Primeiro dia do Outono... o simpático grilinho, já debaixo do guarda-chuva, está prestes a calar a sua alegre canção! Mas ainda vamos a tempo de o ouvir nesta não menos galhofeira (e marota) versão de Josquin des Prés, que como o próprio nome indica, nos seus passeios estivais pelos prados (prés)... muito devia escutar o grilo cantando!... ;)

El Grillo
Hilliard Ensemble

El grillo, el grillo è buon cantore
che tiene longo verso.
Dalle, beve, grillo, canta!
El grillo è buon cantore!
(bis)

Ma non fa come gli altri uccelli,
come li han cantato un poco,
van'de fatto in altro loco…
sempre el grillo sta pur saldo.
Quando la maggior el caldo,
allor canta sol per amore.

El grillo, el grillo è buon cantore
che tiene longo verso.
Dalle, beve, grillo, canta!
El grillo è buon cantore!
(bis)

(Agora a minha versão livre:)):

O grilo, o grilo é bom cantor,
sustenta, longa, a nota.
Vai, bebe, grilo, canta!
O grilo é bom cantor!
(bis)

Mas não é como alguns pássaros,
que mal cantam um nadinha
logo, logo "dão o fora"…
O grilo aguenta firme.
E quando faz mais calor,
el´ só canta por amor.

O grilo, o grilo é bom cantor,
sustenta, longa, a nota.
Vai, bebe, grilo, canta!
O grilo é bom cantor!
(bis)
Note-se a maroteira implícita nos versos "sustenta, longa, a nota" e "o grilo aguenta firme"... havia que passar a censura inquisitorial do tempo! Será que a minha versão portuguesa também passaria a Inquisição? Ai, ai... já me estou a ver como Aspásia d´Arc...:((


Ouçamos agora a opinião abalizada de Paul Hillier, co-fundador e ex-director do Hilliard Ensemble:

“Josquin des Prés (Desprez ou Deprés) (1440 - 1521), é geralmente olhado como o maior dos muitos compositores europeus que fizeram as suas carreiras em Itália, onde eram conhecidos como oltremontani (transmontanos), pois tinham vindo do outro lado dos Alpes.
As canções do Carnaval italiano e as frottole influenciaram Josquin e um outro oltremontano flamengo.
As frottole – singular frottola - eram canções estruturadas segundo estrofes, como o lied, e que tratavam prioritariamente do amor como tema fundamental.
Sofisticada e ao mesmo tempo acessível, a frottola popularizou-se rapidamente e experimentou um século de hegemonia, entre 1550 e 1650. Espalhou-se também pela França, onde era chamada air de cour.
A fusão da polifonia estudada com as melodias alegres e ritmadas constituiu a base do Madrigal Italiano. Similarmente, na música sacra, houve um afastamento da polifonia abstracta em direcção a texturas mais simples, usando a imitação, vozes múltiplas e uma leitura mais declamada dos textos.
Das suas peças italianas iniciais até aos seus últimos arranjos para salmos, podemos ouvir como Josquin assimilou o sentido italiano de composição e clareza rítmica e como o significado e retórica das palavras influenciaram cada vez mais o seu pensamento musical.
As três mais antigas peças de Josquin, conhecidas como frottole são: “Scaramella va alla Guerra”, que elabora um tema popular com sílabas sem sentido e uma ambiguidade erótica do texto, típica da frottola, que também está presente em “El Grillo”, uma brilhante peça de mimetismo musical que se tornou muito popular. A última peça deste trio, “In te, Domine, speravi”, também é ambígua, mas a duplicidade é mais simplesmente entre uma interpretação mais religiosa ou mais popular do texto.”

E assim nos despedimos do incansável cantor estival… até para o ano, grilinho, hiberna bem!...

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

I couldn't understand nothing from your posts,but I just wanted to tell you,that your blog is amazing...I really like the way you designed it...
Congratulations : )

23/9/06 1:53 da tarde  
Anonymous olhos verdes said...

os grilos escondem-se para afiar os instrumentos até ao dealbar do ciclo telúrico com garças empinadas no canto quente de noites que já são saudade

25/9/06 8:32 da tarde  
Blogger Pamina said...

Olá,
Bela despedida do Verão. É com muita pena que o vejo ir...aliás, ao contrário de Lisboa, aqui já se foi.
Este madrigal lembrou-me uma "villanesca alla napolitana", onde também se fala de grilos. Já deves ter ouvido: "Madonna mia fami bona offerta, etc., che sempre canta quando é di, etc., qiqiri, qiqiri..." É uma letra muito engraçada.
Bom começo de semana. Um beijinho.

25/9/06 10:42 da tarde  
Blogger bufólogo said...

Querida Aspásia, apagaste-me dos teus posts, mas não me apagaste do teu pensamento. Acredito piamente que já tiveste saudades dos meus mimos. Não tenho muito tempo para cá vir, mas... não deixarei de visitar-te. Não sei por que rejeitas aquilo que gostas de ouvir (neste caso lêr) mas acredito, que interiormente procuras-me nos únicos sitios onde eventualmente eu possa postar.
Minha BELA DEUSA, agora que me leste, podes apagar-me se o desejares.Até Breve, e um grande BEIJO de admiração.

27/9/06 11:12 da manhã  
Blogger bufólogo said...

O quadro é pouco recomendável, e acredito que o abomines, e por isso vou mudá-lo. Acredita que foi puro impulso humorístico, que não teve graça nenhuma, por isso peço-te desculpa.
Um BJ GRANDE

27/9/06 11:17 da manhã  
Anonymous Ni said...

Gri Gri...e lá se foi o grilinho!!!
Agora as folhinhas estalam debaixo dos pézinhos...depois vem a lareira e a chuvinha na janela!!!
Mais tarde aparecem as florinhas e as andorinhas e depois volta o grilinho!!!
Pronto já está.Beijinhos.

27/9/06 7:21 da tarde  
Blogger Aspásia said...

Dobr Viétshr Rag Doll

Ia paminaio ckolke slove russkii iazik...
Spassiba tvoie slove!

This post is about an old song called "Grillo" - Cricket. But is a song with a double sense!!! ;)))
I never thought having a comment from Bulgary...

Vce dobre a tii ! :))

28/9/06 1:53 da manhã  
Blogger Aspásia said...

Olhos Verdes

O Grilo é sempre um testemunho do renascimento cíclico da Natureza.

Fica bem :)

Pamina

Calculo que pelas tuas paragens até os grilos no Verão cantem de cachecol!!!
Terei de procurar essa cantiga... parece-me apetitosa...

Beijinhos :))

28/9/06 2:00 da manhã  
Blogger Aspásia said...

Bufologo

Dignar-me-ei dizer algo no blog que me dedicas. Até lá.

Ni

Tens toda a razão. A vida é um contínuo renovo na Natureza e em nós... já não ouvimos o cri-cri do grilo, mas vamos ouvir o assobiar do vento, também tão belo...

Beijinhos :))

28/9/06 2:13 da manhã  

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